Sou mãe de gêmeos, um casal, Theodoro e Isa, hoje com seis anos. Essa dupla que enche meu peito de alegria e amor chegou de forma planejada, após uma fertilização sem contratempos aos 34 anos. Assim que fiquei grávida, tinha a certeza de que os dois deveriam dormir juntos no mesmo cômodo. Enfrentei certa resistência do meu marido porque tínhamos dois quartos livres e daria tranquilamente para separá-los, mas o cordão umbilical me dizia que o melhor era mantê-los juntos, respiração com respiração, no mesmo cantinho. Acertei na decisão. Theodoro e Isa curtiram o seu quarto com berços pintados de verde limão, paredes em cinza claro e guarda-roupa e cômoda em branco gelo por quase quatro anos. Porém, àquela altura com os dois crescendo, mesmo com os berços flexíveis transformados em minicamas já sem os pés e laterais, ainda assim era preciso avançar. Começamos a perguntar para os dois se eles gostariam de ter um quarto só deles. Isa, a mais decidida, dizia vibrando que sim, que teria mais espaço para suas bonecas nas prateleiras. Já Théo, para a nossa surpresa, apenas respondia que não, que queria continuar dormindo com a Isa. Apesar dessa resistência dele de início, antes dos dois completarem quatro anos, montamos os seus quartinhos. Aqui começa essa história.

DECOR+AÇÃO
Sou jornalista especializada em decoração há quase 16 anos, todos eles vividos na redação de Casa e Jardim. Quem me conhece sabe o quanto amo, pesquiso e me atualizo sobre esse assunto. Mas na hora de eleger o mobiliário, as cores, as estampas e os acessórios dos quartos do Théo e da Isa, acho que todo esse repertório acaba dificultando a tomada de decisões. Minha estratégia foi idealizar o meu modelo ideal de quarto de criança. Acho que essa é uma dica valiosa para quem precisa decorar qualquer cômodo. Tentei responder às questões como: móvel embutido ou solto?; paredes com cor ou acessórios coloridos?; quarto para durar ou soluções temporárias?, e por aí vai. Cada uma dessas respostas me auxiliou a rascunhar os dois quartinhos. Em ambos, o grande acerto – a meu ver – foi optar por beliches com escadas fixas e degraus que funcionam como gavetões e prateleiras fechadas, sem bagunça aparente. Apesar dos armários soltos com apenas duas portas, há espaço suficiente para guardar brinquedos, roupa de cama, almofadas etc. Os beliches também permitem que os dois recebam amigos ou durmam juntos quando bater a saudade da época de bebê. Mas vamos aos detalhes de cada quarto.

QUARTO DO THEODORO
Theodoro é um menino doce, que ama animais e desenvolveu uma capacidade tremenda de imitá-los, desenhá-los e imaginá-los a partir de peças do cotidiano. Vira e mexe ele transforma o relógio do pai, que fica sobre o bar na sala, em uma jaguatirica ou em um ocape (caso você não conheça esse animal, dê um google. Ele é lindo!). Com isso, queria um quarto onde ele pudesse explorar esse universo lúdico. Além da beliche com escada fixa que armazena brinquedos e livros, e do guarda-roupa laqueado fosco na cor azul denim, desenhei junto com o marceneiro uma escrivaninha com um grande balcão onde é possível dispor as miudezas. Hoje esse espaço está completamente tomado por animais de Playmobil – a maior paixão de Théo. No quarto prevalece o tom cinza claro na parede e no beliche, por isso optei por elementos em preto e branco que se sobressaem a essa mistura de azul denim e cinza. São eles: o tapete chevron e o papel de parede, ambos da Mimoo. Essas duas peças trouxeram personalidade ao quarto, além da cabeça de mamute, outra grande paixão do Théo, que também é da Mimoo. Para essa parede, também foram fixadas prateleiras dos dois lados, um trio delas com apoio para livros e outra para dispor mais brinquedos. Théo costuma passar um bom tempo sentado sobre o tapete imaginando selvas e florestas com seus bichos. O tapete nessa área central trouxe um ganho estético fundamental, mas melhor mesmo foi o quanto aconchegou as brincadeiras. Ainda dentro do conceito de trabalhar as cores nos detalhes, optei por acessórios como pratos decorativos supercoloridos da Mimoo, além de roupa de cama com pegada moderna da Mooui.

QUARTO DA ISA
Ao longo do tempo em que fui planejando o quarto das crianças, me deparei com ideias realmente boas: tablados para teatro no quarto, camas em forma de casinha, cabanas, etc. Fui colecionando imagens a fim de eleger as que mais atendiam as nossas necessidades. Vale revelar que o meu lado “jornalista especializada em decoração” precisa de um lado “razão” para equilibrar as escolhas. Daí entra o Ricardo, meu marido, com afirmações do tipo “em dois anos, teremos de refazer a marcenaria” ou “você vai usar essa área para uma cabana, mas poderia ter mais duas portas de armário”, enfim, aconselho você a exercitar o diálogo e ouvir os argumentos porque é possível que mude de ideia no meio do caminho – palavra de quem já passou por isso! No caso do quartinho da Isa, mantive a ideia do beliche para ter um ganho generoso de gavetas e portas. O guarda-roupa, também solto, foi pintado de um rosa antigo laqueado que ficou incrível. Especialmente para a Isa, que é vaidosa e apaixonada por barbies e princesas, incluí uma espécie de arara de madeira, que expõe suas fantasias, roupas de balé e outras peças que dá vontade de expor. Também optei por posicionar o mobiliário ladeando as paredes para criar uma área central onde fica o tapete ombré da Mimoo. De vez em quando a Isa espalha as suas bonecas nele e monta um salão de beleza, um restaurante ou até um pronto socorro. Diferente da proposta mais neutra que pensei para o Théo, neste quarto impera a cor. O papel de parede com estampa desenvolvida pela Mooui brinca com esse floral maximalista tão em alta nos últimos tempos. A mesma parede abriga uma cabeça de veado de pelúcia da Mimoo, e prateleiras de um dos lados, para dispor os Globos de Neve e brinquedos miúdos que a Isa adora. Em ambos os quartos, a ideia é que – conforme os dois crescerem, e surgirem novos interesses, – possamos manter o trio beliche, guarda-roupas e escrivaninha, e só alterar os acessórios, que têm o poder de mudar completamente o clima e o estilo da decoração.

 

 

Por Thaís Lauton, jornalista especializada em decoração e diretora de Casa e Jardim